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Lei, polícia e crime em esperanto: palavras para notícias

As palavras para ler notícias de tribunal e de crime, mais frases para registrar um furto em viagem.

Atualizado: 6 min de leitura

Lei em esperanto é leĝo (uma lei) e juro (o direito como um todo). A polícia é a polico, um crime é um krimo e um ladrão é um ŝtelisto. Abaixo, cerca de 80 palavras agrupadas por tema, seguidas de frases para um viajante que teve a carteira furtada. As palavras são rótulos neutros; quando o ReVo marca um sentido como “a evitar”, a tabela traz a palavra recomendada. Parlamento e eleições estão em política e sociedade. Os guias de pronúncia dividem as palavras em sílabas, com a sílaba tônica em maiúsculas, já com as letras do português brasileiro: tch = ĉ, dj = ĝ, ch = ŝ, j = ĵ, i = j do esperanto, ts = c, gu = g duro antes de e e i; o ô e o ê finais lembram que -o e -e não viram “u” e “i”, e o ss entre vogais é o s de “passo”, nunca o de “casa” (veja o alfabeto).

Lei e regras

Leĝo é uma lei: o ReVo a define como uma decisão obrigatória proclamada pela mais alta autoridade do Estado. Juro é o conjunto das regras que definem os direitos e deveres das pessoas. Compare la nova leĝo “a nova lei” e Ŝi lernas juron “Ela estuda direito”.

PortuguêsEsperantoPronúncia (para brasileiros)Observação
uma leileĝoLE-djôuma norma específica
direito (conjunto de normas, disciplina)juroIU-rôo especialista é o juristo; “jurídico” é jura
legal, conforme a leilaŭleĝalau-LE-djalaŭ “segundo” + leĝo
ilegalkontraŭleĝakon-trau-LE-djakontraŭ “contra” + leĝo
permitir, proibirpermesi, malpermesiper-ME-ssi, mal-per-ME-ssimal- “oposto”

Tribunais e julgamentos

Juĝi é “julgar” no sentido jurídico: decidir, pela lei, se alguém é culpado. Um juĝejo é um “lugar de julgar”. O ReVo dá tribunalo como sinônimo e o define também como um órgão formado por um ou mais juízes. Kortumo nomeia vários tribunais, sobretudo os mais altos, como em la Internacia Kortumo “a Corte Internacional”. As três palavras correspondem a “tribunal” ou “corte”.

PortuguêsEsperantoPronúncia (para brasileiros)Observação
julgarjuĝiIU-dji
juizjuĝistoiu-DJIS-tô
tribunaljuĝejo, tribunaloiu-DJE-iô, tri-bu-NA-lôsinônimos no ReVo
tribunal, corte (muitas vezes superior)kortumokor-TU-môcomum em nomes
processo judicial, julgamentoprocesopro-TSE-ssôpara “processo” em outros sentidos, procezo (ReVo)
advogadoadvokatoad-vo-KA-tôdefende alguém no tribunal
promotor, procurador (acusador)prokuroropro-ku-RO-rôtambém akuzisto
acusarakuzia-KU-ziacusação: akuzo
o acusado, o réuakuzitoa-ku-ZI-tô-it- “que foi acusado”
testemunhaatestantoa-tes-TAN-tôatesti “testemunhar, atestar”
provapruvoPRU-vôpruvi “provar”
defenderdefendide-FEN-di
culpadokulpaKUL-pa
inocentesenkulpasen-KUL-pasen- “sem”
veredictoverdiktover-DIK-tô
condenarkondamnikon-DAM-nia pessoa: kondamnito
absolversenkulpigisen-kul-PI-guideclarar inocente
pena, puniçãopunoPU-nôpunir: puni
multamonpunomon-PU-nômono + puno

Polícia e investigação

Polico é a administração da ordem e da segurança públicas. Quem trabalha nela é um policano. O ReVo define policisto como essa pessoa, em especial a que investiga, vigia ou ajuda o público.

PortuguêsEsperantoPronúncia (para brasileiros)Observação
políciapolicopo-LI-tsô
policialpolicisto, policanopo-li-TSIS-tô, po-li-TSA-nô
delegacia de políciapolicejopo-li-TSE-iô-ej- “lugar”
detetivedetektivode-tek-TI-vôda polícia ou particular
prender (uma pessoa)arestia-RES-tia pessoa: arestito
investigarenketi, esplorien-KE-ti, es-PLO-riesplori é mais geral: “explorar”
investigação, inquéritoenketo, esploroen-KE-tô, es-PLO-rôenketo também é uma pesquisa de opinião (“enquete”)
suspeitarsuspektisus-PEK-tisupor a culpa sem prova segura
vestígio, rastrospuroSPU-rô
pista, indícioindikaĵoin-di-KA-jôReVo: aqui indico é marcado como arcaico
dar queixa, queixar-seplendiPLEN-dia um tribunal ou à polícia; plendo

Crimes e criminosos

Krimo é um ato que viola do modo mais grave uma lei moral ou civil, na definição do ReVo. A pessoa é um krimulo. O ReVo explica delikto como um “delito”, um ato punível por lei.

PortuguêsEsperantoPronúncia (para brasileiros)Observação
crimekrimoKRI-mô
delitodeliktode-LIK-tô
criminoso (pessoa)krimulokri-MU-lôkrim·ul·o
criminoso (adjetivo)krimaKRI-mao ReVo também tem kriminala
furto, furtarŝtelo, ŝteliCHTE-lô, CHTE-liveja a nota sobre “furto” e “roubo” abaixo
ladrãoŝtelistochte-LIS-tôladrão habitual, veja abaixo
ladrão de casasdomŝtelistodom-chte-LIS-tôfurta dentro de casas
batedor de carteirapoŝoŝtelistopo-cho-chte-LIS-tôtira de bolsos e bolsas
assaltar (uma pessoa ou um lugar)prirabipri-RA-biReVo: evite rabi nesse sentido
tomar à forçarabiRA-biassaltante: rabisto
assassinato, assassinarmurdo, murdiMUR-dô, MUR-di
assassinomurdintomur-DIN-tôReVo: murdisto mata por pagamento
matarmortigimor-TI-guiReVo: mortigo é preferível a hommortigo
violênciaperfortoper-FOR-tôforça física para impor a própria vontade
atacaratakia-TA-kiataque: atako
fraudefraŭdoFRAU-dôtrapaça com quantias ou contas; enganar: trompi
contrabandokontrabandokon-tra-BAN-dôcontrabandista: kontrabandisto
vítimaviktimovik-TI-môquem sofre por causa de algo

Prisão e libertação

Malliberejo é mal·liber·ej·o, “lugar de não-liberdade”. O PMEG o equipara a prizono, embora o ReVo defina prizono como uma prisão oficial.

PortuguêsEsperantoPronúncia (para brasileiros)Observação
prisão, cadeiamalliberejo, prizonomal-li-be-RE-iô, pri-ZO-nô
presomalliberulo, prizonulomal-li-be-RU-lô, pri-zo-NU-lô
encarcerarmalliberigimal-li-be-RI-gui
libertar, soltarliberigili-be-RI-gui

Formando mais palavras

O PMEG define -ist- como a pessoa que faz algo com frequência, talvez profissionalmente; o próprio exemplo dele é ŝtelisto, quem rouba com frequência. Para um ato isolado, use um particípio: la ŝtelinto “aquele que furtou”. Do mesmo modo, suspektato “pessoa sob suspeita” (suspekti + -at-) é uma formação regular, e não um verbete do ReVo.

Parte da palavraSignificadoExemploPortuguês
-ist-pessoa que faz algo com frequênciaŝtelisto, rabistoladrão, assaltante
-ej-lugarjuĝejo, policejotribunal, delegacia
-ul-pessoa com uma característicakrimulo, malliberulocriminoso, preso
-ant-, -int-, -it-que faz, que fez, que sofreu a açãoakuzanto, murdinto, akuzitoacusador, assassino, acusado
-ig-tornar, causarmalliberigi, senkulpigiencarcerar, absolver
mal-, sen-oposto, semmalpermesi, senkulpaproibir, inocente

Veja os sufixos, os prefixos, os particípios e a formação de palavras.

Se algo for furtado

Para “Socorro!” e “Chame a polícia!”, veja as frases de viagem. Oni significa “alguém, a gente, eles” (PMEG), então Oni ŝtelis mian monujon é, literalmente, “alguém furtou minha carteira”, a maneira usual de dizer “furtaram minha carteira”; o português faz o mesmo com o verbo na terceira pessoa do plural (veja os pronomes). As multas de trânsito estão na página de carro e direção.

EsperantoPronúncia (para brasileiros)Português
Kie estas la policejo?KI-ê ES-tas la po-li-TSE-iôOnde fica a delegacia?
Oni ŝtelis mian monujon.O-ni CHTE-lis MI-an mo-NU-ionFurtaram a minha carteira.
Oni prirabis min.O-ni pri-RA-bis minFui assaltado(a).
Mi volas plendi al la polico pri ŝtelo.mi VO-las PLEN-di al la po-LI-tsô pri CHTE-lôQuero denunciar um furto à polícia.
Oni atakis min.O-ni a-TA-kis minFui atacado(a).
Mi bezonas interpretiston.mi be-ZO-nas in-ter-pre-TIS-tonPreciso de um intérprete.
Ĉu mi rajtas voki advokaton?tchu mi RAI-tas VO-ki ad-vo-KA-tonPosso chamar um advogado?
Mi volas telefoni al mia ambasado.mi VO-las te-le-FO-ni al MI-a am-ba-SSA-dôQuero telefonar para a minha embaixada.
Mi estas senkulpa.mi ES-tas sen-KUL-paSou inocente.

Use ŝteli para as coisas furtadas e perdi para as perdidas (Mi perdis mian pasporton “Perdi o meu passaporte”).

Frases das notícias

EsperantoPortuguês
La polico arestis du ŝtelistojn.A polícia prendeu dois ladrões.
La polico ankoraŭ esploras la aferon.A polícia ainda investiga o caso.
La advokato defendas sian klienton.O advogado defende o seu cliente.
La akuzito diras, ke li estas senkulpa.O acusado diz que é inocente.
La juĝisto kondamnis la ŝteliston al du jaroj en malliberejo.O juiz condenou o ladrão a dois anos de prisão.
La tribunalo decidos en Novembro.O tribunal decidirá em novembro.

Os objetos diretos levam -n: du ŝtelistojn, la aferon. Os nomes dos meses levam inicial maiúscula, como em Novembro; em português, ao contrário, “novembro” se escreve com minúscula.

O que muda para quem fala português

Muitas palavras desta página parecem português, e quase sempre isso ajuda. Mas alguns casos enganam.

  • Multa. Multa em esperanto quer dizer “muito(s)”: multaj homoj “muitas pessoas”. A “multa” que se paga é monpuno.
  • Pena. O castigo é puno. Peno é “esforço, trabalho penoso”, e nada tem a ver com a “pena” do português.
  • Prova. Pruvo é a “prova” que convence um tribunal, e pruvi é “provar”. Provo e provi são “tentativa” e “tentar”; a “prova” de uma escola é outra coisa, ekzameno.
  • Juro. Juro é o “direito”, e nada tem a ver com os “juros” do dinheiro. Também não é “jurar”: o verbo é ĵuri, com ĵ (ĵuri é JU-ri, e juro é IU-rô).
  • Furto e roubo. O uso brasileiro separa “furto” (tirar algo sem violência nem ameaça) de “roubo” (tirar com violência ou ameaça). O esperanto faz a mesma separação: ŝteli é furtar, e prirabi é assaltar. Quem teve a carteira tirada do bolso sem perceber diz Oni ŝtelis, e não Oni prirabis.
  • Delegacia e delegado. A delegacia é o policejo. A palavra “delegado” não passa para o esperanto: delegito é o “delegado” de uma organização ou de um congresso, sem relação com a polícia.
  • Promotor e procurador. No uso brasileiro, quem acusa em nome do Estado pode ser chamado de “promotor” ou de “procurador”, conforme o cargo; em esperanto, a palavra é prokuroro (ou akuzisto), sem essa distinção.
  • Posso e rajti. O português usa “posso” para a permissão e para a capacidade. O esperanto separa: rajti é ter o direito ou a permissão (Ĉu mi rajtas voki advokaton?), e povi é ser capaz de fazer algo.
  • Testemunha. O português “atestar” tem parente em atesti, mas a “testemunha” é atestanto, “aquele que atesta”.
  • Nomes de tribunais. Cada país dá nomes próprios aos seus tribunais. Em esperanto, descreva a função em vez de traduzir o nome palavra por palavra: la plej alta juĝejo de la lando “o tribunal mais alto do país”. O prédio do tribunal, que no Brasil costuma ser chamado de “fórum”, também pode ser chamado de juĝejo.
  • Assassino. Em português, “assassino” serve para qualquer autor de um assassinato. Em esperanto, murdinto é quem cometeu o ato, e murdisto é o matador de aluguel (ReVo).
  • Processo. O português usa “processo” para a ação judicial e para qualquer sequência de etapas. O esperanto separa os dois: proceso (com s) é a ação judicial, e procezo (com z) é a sequência de etapas.

Perguntas frequentes

Como se diz “lei” em esperanto?

Leĝo é uma lei que foi aprovada; juro é o direito como um todo ou como disciplina: Ŝi lernas juron. “Legal” é jura (relativo ao direito) ou laŭleĝa (de acordo com a lei).

Como se diz “polícia” e “Chame a polícia” em esperanto?

Polico é a polícia, policisto ou policano é um policial e policejo é a delegacia. “Chame a polícia!” é Voku la policon!

Qual é a diferença entre juĝejo, tribunalo e kortumo?

As três correspondem a “tribunal” ou “corte”. O ReVo dá tribunalo como sinônimo de juĝejo; a palavra também designa um órgão de juízes. Kortumo nomeia vários tribunais, sobretudo os mais altos.

Como se diz “ladrão”, “assaltante” e “assassino” em esperanto?

Ŝtelisto, rabisto e murdinto. O ReVo define murdisto como a pessoa que mata por pagamento; murdinto é quem cometeu um assassinato.

Como se diz “culpado” e “inocente” em esperanto?

Kulpa e senkulpa. Um tribunal kondamnas (condena) ou senkulpigas (absolve), e a decisão dele é um verdikto.

Fontes

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